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Tirar o obstáculo antes de escolher o tratamento: o que a evidência diz sobre o Rotarex™ S

há 7 horas
5 min de leitura

Um estudo randomizado publicado no Journal of Endovascular Therapy colocou frente a frente a trombectomia mecânica com Rotarex® e a trombólise dirigida por cateter (CDT) na isquemia aguda de membro inferior. O método mecânico levou vantagem na maioria dos desfechos, mas a amostra é pequena e pede leitura cuidadosa.

A comparação importa porque a trombólise cobra caro fora da sala: leito monitorado por 24 a 48 horas e reavaliações angiográficas seriadas. A aterotrombectomia rotacional remove o material oclusivo por ação mecânica, em sessão única, sem agente lítico.

O que a trombólise cobra em troca

O risco hemorrágico não desaparece com a dose baixa, e ele recai justamente sobre o perfil de paciente que mais chega com oclusão aguda: idoso, com comorbidades, muitas vezes em pós-operatório recente ou com neoplasia ativa. Para uma parcela relevante desses casos, a pergunta sobre qual técnica usar já vem respondida pela contraindicação ao lítico. Sobra a cirurgia aberta ou a remoção mecânica.


Some a isso o tempo. Isquemia aguda é doença de relógio, e a infusão prolongada é incompatível com a urgência de alguns quadros.


O dado novo: um randomizado direto

O estudo foi conduzido por Elkerdawi e colaboradores em dois hospitais, com 50 pacientes com isquemia arterial aguda trombótica sem déficit motor, 25 em cada braço.

Os resultados apontam na mesma direção:


  • Sucesso técnico: 96% no grupo Rotarex contra 80% no grupo CDT

  • Mortalidade em 30 dias: 0% contra 8%

  • Amputações: uma abaixo do joelho no grupo mecânico; duas abaixo e três acima do joelho no grupo trombólise

  • Patência primária em 1 mês: 84% contra 81%; em 1 ano, 62,5% contra 55,6%

  • Complicações perioperatórias: 8% nos dois grupos


O número de complicações foi idêntico, mas a natureza delas não. No braço mecânico houve uma perfuração de vaso e uma embolização distal, ambas tratáveis na própria sala. No braço da trombólise houve um pseudoaneurisma e uma hemorragia intracraniana.


Os resultados foram animadores, mas preferimos apresentar esses números com duas ressalvas. A amostra é pequena, e nenhuma das diferenças alcançou significância estatística. Além disso, os grupos não eram equivalentes na idade: média de 67 anos no braço mecânico e de 57 no braço da trombólise, diferença registrada pelos próprios autores. Eles concluem que são necessários estudos multicêntricos maiores, e nós da Cardiovent concordamos.

O contrapeso de volume: a experiência de Leipzig

Se o randomizado é pequeno, a série de Leipzig oferece o oposto. Freitas e colaboradores publicaram na Angiology em 2017 uma revisão retrospectiva com inclusão consecutiva de 525 pacientes tratados com o sistema Rotarex™ S entre janeiro de 2005 e janeiro de 2013, em oclusões femoropoplíteas.


Aos 12 meses, 89,9% dos pacientes não necessitaram de revascularização da lesão-alvo. As pontuações de Rutherford-Becker mostraram melhora persistente em 74,1% dos pacientes de classe.


O dado que dá dimensão ao restante é o perfil das lesões: comprimento médio de 15,9 cm, com intervalo de 2 a 27,9 cm. Não são lesões curtas nem selecionadas por facilidade. Entre elas, 78,6% eram lesões de novo e 21,4% tinham angioplastia prévia com balão sem stent.


Retrospectiva não substitui randomizado, e inclusão consecutiva ao longo de oito anos carrega variação de técnica e de material. Mas 525 pacientes com seguimento de um ano é a base de evidência mais sólida que o dispositivo tem hoje, e ela sustenta durabilidade, que é a pergunta que o randomizado de 50 pacientes não consegue responder.


Quatro funções em um único dispositivo

O que a animação mostra, descrito nos termos da própria BD: a ponta biselada modificadora desprende o material oclusivo do vaso, em velocidade de até 1 cm por segundo. O vórtice abrasivo rotativo fragmenta o material dentro da cabeça do cateter. A aspiração ativa contínua aspira e transporta os fragmentos para fora do corpo do paciente, em direção à bolsa coletora.


São quatro funções encadeadas (desprendimento, aspiração, fragmentação e transporte) em um único dispositivo, sem lâminas externas. O sistema de acionamento, compartilhado com o Aspirex™ S, está descrito no post de apresentação da linha.


Tempo da oclusão e tipo de vaso

Um dos pontos que diferenciam o dispositivo é a amplitude de indicação por idade do trombo. O material técnico da BD organiza a indicação assim:

Tipo de vaso

Tempo da oclusão

Tipo de oclusão

Stents e enxertos de stent

Agudo, menos de 14 dias

Trombótico

Bypasses nativos ou sintéticos

Subagudo, até 90 dias

Tromboembólico

Vasos nativos

Crônico, 3 meses ou mais

Aterotrombótico

A cobertura de território inclui vasos nativos, stents com reoclusão intra-stent, bypasses nativos e sintéticos e acessos de diálise nativos ou sintéticos.

Essa amplitude é o que permite tratar oclusões de morfologia mista, em que trombo recente e placa organizada convivem no mesmo segmento. É uma situação comum no paciente com doença arterial periférica de base que descompensa.


Debulking como primeira etapa, não como substituto

Vale explicitar o que a aterotrombectomia rotacional não é. Ela não compete com balão farmacológico nem com stent: ela acontece antes.


Enquanto houver material oclusivo no lúmen, a lesão subjacente não está visível, o fármaco não alcança a parede e qualquer decisão sobre implante é tomada sem informação completa. Remover o obstáculo devolve a angiografia diagnóstica e permite escolher o tratamento definitivo com o vaso à mostra, inclusive a decisão de não implantar nada.


A própria série de Leipzig registra 21,4% de casos com angioplastia prévia por balão sem stent, o que reforça que a sequência posterior ao debulking é decisão clínica caso a caso, não protocolo automático.


Onde a decisão continua sendo clínica

O randomizado de 2026 incluiu apenas pacientes sem déficit motor. Para Rutherford IIb e III, a discussão é outra, e a cirurgia aberta mantém seu papel.


Há também as contraindicações formais do dispositivo, que delimitam bem o território: vascularização cardíaca, pulmonar, renal e neurovascular está fora, assim como a vasculatura venosa. Vasos subdimensionados para o dispositivo, vasospasmo persistente e bypass autólogo ou sintético imaturo também são contraindicações.


Indicações, contraindicações e segurança

Material exclusivo para profissionais da saúde. Advertência e contraindicação: pacientes não adequados para aterectomia ou trombectomia; vascularização cardíaca, pulmonar, renal e neurovascular, incluindo artérias coronárias, carótidas e cerebrais, ou vasculatura venosa; vasos sanguíneos subdimensionados para o dispositivo específico usado; infecção conhecida ou suspeita, especialmente do local da punção ou do segmento do vaso em tratamento; vasospasmo persistente; bypass autólogo ou sintético imaturo; alergia conhecida ou suspeita a qualquer componente do sistema ou a medicamento a ser administrado no procedimento planejado.


Produto regularizado junto à ANVISA. Consulte os rótulos e as Instruções de Uso do produto para qualquer indicação, contraindicação, risco, advertência e cuidado. SAC BD: 0800 055 5654 ou cs_brasil@bd.com.


Os dados de estudos citados referem-se às populações e desfechos descritos nas respectivas publicações e não constituem promessa de resultado clínico. As imagens de animação têm finalidade ilustrativa e não representam caso clínico real.


Fale com a nossa equipe

A Cardiovent distribui o Rotarex™ S em todo o estado do Rio de Janeiro, com suporte técnico especializado em sala e treinamento de equipe. Agende uma demonstração técnica no seu serviço ou traga um caso para discutir com a nossa equipe.


Referências
  1. Freitas B, Steiner S, Bausback Y, Branzan D, Ülrich M, Bräunlich S, et al. Rotarex Mechanical Debulking in Acute and Subacute Arterial Lesions. Angiology. 2017;68(3):233-241.

  2. Elkerdawi SO, Abdelbary MS, Rizk MA, Ibrahim H, El-Awady K. Randomized Prospective Comparative Study of Mechanical Thrombectomy by Rotarex® Device Versus Catheter-Directed Thrombolysis in the Management of Acute Thrombotic Lower Limb Ischemia Without Motor Deficit. J Endovasc Ther. 2026;33(4):2129-2138.

 
 
 

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